Segundo Parmênides, sou uno e imutável,
Para Aristóteles, sou ato e potência.
Em Platão, um reflexo no Ideal inabalável,
Em Descartes, sou certeza na pura consciência.
Spinoza me vê como o Todo infinito,
Em Hegel sou dialética em espiral.
Para Kant, sou véu sobre um saber restrito,
E Nietzsche me nega, estou morto afinal.
Heidegger diz que sou tempo e finitude,
Sou o ser que pergunta e nunca se encerra.
Sartre me entrega à própria atitude,
Entre ideias e sombras, sou pó e sou terra.
Sou o que sou e o que sempre serei,
Os ciclos se repetem ao longo de éons.
Se levantas uma pedra, ali também estarei,
No eco do tempo, sou voz sem grilhões.
Eu sou. Estou longe e perto, sou imanente,
A cada ente, dou infinitas possibilidades
Olhem-se no espelho, ali estarei presente,
Porém te restringes, te negas a ver a verdade.
Para Carl Jung, sou arquétipo e luz interior,
No inconsciente, um mito que impera.
Sou força que guia ao ser superior,
Reflexo na alma, sou sombra e sou era.
Te afirmo! Como um fragmento de mim mesmo,
Adentro cada ser, sou a força que conduz.
Cada um me experiencia, no caminho ou a esmo,
Todos SÂO UM, em diferentes níveis de luz.
Roni Martins